sexta-feira, 19 de março de 2010

Sobre o MST

Tomei conhecimento de um blog alimentado por comunicadores e comunicadoras reunidos em defesa da reforma agrária. O post “Pesquisador dos EUA lança livro sobre o MST” destaca alguns trechos da obra “Combatendo a desigualdade social – o MST e a Reforma Agrária no Brasil”, do escritor Miguel Carter. Depois de pesquisar o movimento no Brasil por 20 anos, o autor assinou as seguintes frases, que merecem uma reflexão:

- O MST não é só um fenômeno rural. Por trás das suas marchas disciplinadas e do brilho de suas bandeiras vermelhas, há um fantasma que desafia as desigualdades seculares do Brasil.

- Apesar de muitos exageros, os temores provocados pelo Movimento são infundados. O MST subverte percepções, normas e costumes tradicionais. Ele perturba a “ordem natural das coisas”; expões, dá voz e canaliza as tensões subjacentes na sociedade brasileira.

- Alguns consideram essa agitação um anátema nacional, outros simpatizam com o seu impulso de ruptura com a ordem existente. Entre os últimos, muitos vêem no Movimento um poderoso símbolo e uma fonte de inspiração na luta por concretizar a promessa de igualdade de direitos e a plenitude da cidadania.

Fica aí o endereço do blog (para quem interessar possa): http://www.reformaagraria.blog.br/

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sexta-feira, 12 de março de 2010

Ser mulher

Nesta semana em que se comemorou o Dia Internacional da Mulher, fiquei pensando como é difícil ser uma senhorita. A mulherada lutou para ter seu espaço e, hoje, acumula centenas de obrigações. Tantas que nem dá conta. Mas tem que dar!

Mulher tem que estudar muito e ficar cada vez mais inteligente para provar que também pode ocupar cargos antes dominados pelos homes. Mulher tem que trabalhar para pagar suas contas e não depender de marido para fazer sua vida. Mulher tem que ser mãe, caso contrário, estaria negando sua própria natureza (!). Mulher tem que cuidar muito bem dos filhos e se responsabilizar pela saúde, educação e integridade dos pequenos. Mulher tem que estar atenta à sua saúde e à sua beleza para se manter sempre impecável e linda diante do olhar do companheiro e da sociedade. É... Não é fácil...

Esse acúmulo de tarefas causa transtornos físicos e um sentimento de culpa do tipo: “E agora? Não estou conseguindo fazer tudo ao mesmo tempo...”. Nossa, quantas vezes pensei assim. E olha que não tenho nem marido, nem filho.

Um estudo britânico realizado em 2007 mostrou que as mulheres estão mais cansadas e os homens, mais felizes. Por que será? Talvez porque o avanço feminino no mercado de trabalho tenha aliviado algumas obrigações masculinas no lar.

É. Mesmo assim, as mulheres continuam com salários menores. Uma pesquisa realizada pelo Grupo Catho, há três anos, mostrou, por exemplo, que um professor universitário ganha, em média 4.572 reais. Uma mulher lecionando para acadêmicos recebe um salário de 3.652 reais. Ela é menos competente? Por que essa diferença? A pesquisa mostra a mesma disparidade em todos os outros cargos analisados. Um resultado vergonhoso.

De quem é a culpa? Vamos pensar... Desde crianças, as mulheres brincam de boneca, panelinha e casinha. Os meninos, mais soltos e livres, vão para a rua jogar futebol e brincar de pique-pega. Quando adolescentes, os meninos são servidos o tempo todo. As meninas começam a aprender as tarefas de casa para substituírem a mãe. E assim vai... Entra geração, sai geração, os erros na educação continuam promovendo a distinção de gêneros. Infelizmente.

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segunda-feira, 1 de março de 2010

Quem é a vítima?

Notícias! Na semana passada, alguns assuntos chamaram minha atenção pela forma como foram tratados. Por exemplo: Li que uma baleia assassina (!!!) matou uma adestradora no parque aquático mais famoso da Flórida. O título da matéria do Globo dizia: “Orca assassina puxou treinadora pelo rabo de cavalo”. O texto lembrava que esse era o terceiro caso de morte humana causada pelo animal. Só faltou dizer que, “com requintes de crueldade, a orca bateu, socou e afogou a tão dedicada domadora”. Choveram comentários repudiando o tratamento de assassina dada a um bicho que, fora de seu habitat, passa por momentos de estresse e, de forma natural, busca extravasá-lo.

Aí, o blogueiro Cesar Baima postou o artigo “Assassina ou escrava?” no blog Só Ciência. Depois de fazer uma análise científica da espécie, exaltando sua inteligência, o jornalista registrou:

“Retiradas dos vastos oceanos e levadas a tanques nos parques, as orcas são como pessoas presas em cubículos mínimos. E ainda são sujeitas a trabalhos forçados degradantes, numa escravidão de truques repetitivos e anti-naturais para uma plateia escandalosa e barulhenta. Alguém pode culpá-la por enlouquecer, ter um ataque de raiva ou simplesmente buscar vingança contra um de seus algozes, já que a fuga é impossível? Detalhe: pelas descrições do ataque à treinadora, a orca usou exatamente a estratégia natural para capturar a dieta preferida da espécie, focas.”

É gente! Tubarões podem atacar no mar, por mais estranho que isso pareça para os banhistas ‘ratos de praia’. Os mergulhadores abusados que arriscam imersões em águas um pouquinho mais profundas podem se dar mal ao cruzarem com as mandíbulas mais poderosas do oceano. Assim como as cobras podem, sim, atacar em florestas e parques. Ohhh! Um simples cachorro, mal tratado no ambiente doméstico, pode dar uma mordida feroz sob pressão... Ohhh!

O ser humano precisa respeitar um pouquinho mais a natureza das espécies animais e entender que, na maioria das vezes, o intruso (e abusado) é o homem! E os jornalistas, por sua vez, precisam abordar melhor essas questões, sem transformar os animais em serial killers piores que Fred Kruger e Jason.

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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Comunicação Empresarial acompanha avanços hi-tech

O jornal e as revistas corporativas estão com os dias contados. A intranet e os comunicados eletrônicos estão roubando a cena antes estrelada pelos impressos no mundo business. Um levantamento do Instituto de Pesquisa da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Databerje), feito para o Jornal Valor Econômico, gerou dados que confirmam essas conclusões.

Em 2007, as empresas usavam a intranet para disponibilizar 18,4% de seu conteúdo. Em 2009, a taxa subiu para 24,7%. Em apenas dois anos, a relevância do jornal institucional impresso caiu pela metade. Em 2007, a publicação reunia 26,6% das informações corporativas. Dois anos depois, o número caiu para 12,7%. As revistas também tiveram queda de 15,2% para 10,7%. A relevância do comunicado online (e-mail marketing, newsletter e deptmail), por sua vez, avançou de 5,5% para 12% no período de dois anos.

A tecnologia está mudando a forma de fazer Comunicação Interna. Informação rápida e eficiente é cada vez mais valorizada pela força de trabalho. É isso que o funcionário espera. Depois de quase quatro anos trabalhando em Comunicação Institucional, acredito que a qualidade de reportagens e a riqueza de informações podem cair com essa nova tendência, na qual informações mais curtas são privilegiadas. As revistas corporativas, que podem ser levadas para casa e lidas com mais calma e atenção, dão lugar a informativos eletrônicos cada vez mais diretos e menos profundos.

Além da análise dos veículos de comunicação, a pesquisa comprovou algo que não é novidade para ninguém que atua no ramo. As equipes estão cada vez mais enxutas. E como! Em 2007, 40,2% das equipes tinham até três pessoas. Em 2009, houve um salto para 49,3%. Ou seja: Hoje, quase metade das equipes de Comunicação Empresarial tem até três profissionais. Isso faz com que jornalistas sejam cada vez mais RPs, RPs sejam cada vez mais publicitários e publicitários sejam cada vez mais jornalistas. Todo mundo tem que saber um pouco de cada área de atuação. É fato que jornalista empresarial precisa saber como fazer pesquisa de satisfação, plano de marketing, diagramação de mural, tratamento e redimensionamento de imagens, tecnologia digital, etc.

Além das funções de comunicólogos, é importante garantir conhecimentos naturais de administrador. Como se responsabilizar, por exemplo, por um projeto de comunicação demandado por uma área da companhia sem ter noções de Gestão de Projetos? Não dá!

Toda essa exigência tem um lado bom para aqueles que correm atrás de novos conhecimentos e fazem intercâmbio de experiências. Os profissionais completos se destacam!

OBS: Em meio a tantas mudanças, algo deve ficar claro: a comunicação empresarial não pode perder seu foco. Fazer campanhas superficiais e ‘para ontem’ com freqüência pode tornar a área um núcleo prestador de serviços. Com isso, a função de traduzir a estratégia da organização para o público interno, principal atribuição dos comunicadores, acaba sendo deixada de lado.

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quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Tem de tudo na Saara


Quem mora ou trabalha no Rio e nunca foi à Saara? Todo mundo, em algum momento da vida, precisou passar pela Rua da Alfândega e adjacências para comprar uma coisinha. Eu curto dar umas voltas por lá. O melhor é que você vai a uma loja para comprar um bocal específico do abajur do modelo A da marca Y e... Encontra! Aí, percebe que também precisa comprar o filtro modelo XPTO da loja ao lado. É um passeio capitalista que tem o poder de trazer à memória a necessidade daquilo que a gente não anota. E, por isso, não lembra!

A Saara é, sem dúvidas, o melhor (e mais barato) shopping a céu aberto do planeta! Dizem que a 25 de Março de Sampa é ainda melhor. Não consigo acreditar. Há os que garantem que o Mercadão de Madureira oferece preços mais em conta. Será? Sou cliente fiel da Saara. Preciso de ferramentas, vou para lá. Quero comprar um produto de cabelo feito exclusivamente para cabeleireiros? O endereço é o mesmo. Para bugigangas, brinquedos e enfeites de aniversário, não há lugar melhor. Tem de ‘um tudo” naquele “muvucão”.

O melhor são as figuras que encontramos pelo caminho... Os marketeiros de plantão gritam as promoções do dia. Os seguranças das lojas se equilibram em banquinhos onde cabe somente metade de cada pé. O objetivo é ficar por cima para ver se não tem algum espertinho “malocando” algum artigo. Os chineses donos das lojas falam em um dialeto difícil de compreender. E os compradores com quatrocentas e cinquenta e três mil e vinte e quatro sacolas? Esses tampam a rua que ninguém mais passa, nem para lá nem para cá. É um exercício de paciência sob o calor fervente do Rio.

Mas para facilitar nossa vida, o maior centro comercial do Rio agora tem um site. Digamos que é um pouquinho feio e um tanto desatualizado, mas é bacaninha para o que se propõe. É possível encontrar referências dos estabelecimentos. As lojas são divididas por categoria: armarinhos, jóias, iluminação, roupas, foto e vídeo, flores artificiais, presentes, lingeries, etc. São 24 grupos de lojas, exibidas para os usuários com nome e endereço. Isso não é ótimo? Ninguém mais fica perdido por aquelas bandas.

Mas não é só no site que a gente vê a cara da Saara, não. O shopping popular, em todas as suas características, é tema do livro “Saara Rio de Janeiro”. Vários fotógrafos, entre eles minha amiga Thelma Vidales, fizeram os mais variados cliques nas ruas que compõem o centro comercial. O resultado é super legal! Vale a pena conferir.

Para quem interessar possa, o lançamento do livro será no dia 2 de fevereiro, às 18h30, na Livraria Travessa do CCBB. Obs: A capa do livro, que ilustra esse post, é da minha amiga Thelma Vidales (http://www.thelmavidales.com/). Arrasou!

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segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Praia para todos


Praia. Está aí um dos lugares mais democráticos que conheço. Mix de gente e de estilos. Mistura de manias, hábitos, costumes. Emaranhado de cabeças e pensamentos. O sol dá o tom ideal da perfeita harmonia. O vento leva embora qualquer diferença. O mar renova as energias da integração. Esse seria o cenário perfeito se não fossem aqueles discursos elitistas do tipo “não vou à praia domingo porque só tem suburbano!”. Escutar esse tipo de frase acaba com meu dia. Meu ânimo vai ao ponto zero da escala de humor. É difícil digerir comentários preconceituosos que não fazem o menor sentido.

Bem, as praias estão na Zona Sul, mas pode chegar a galera da Zona Oeste e da Zona Norte! Baixada Fluminense também comparece em massa, claro! O povo das comunidades da própria Zona Sul desce o morrão para ocupar o litoral e curtir o que a praia tem de melhor. Empregado e empregador, negro e branco, mauricinho e favelado, direita e esquerda, bonito e feio, rockeiro e funkeiro, analfabeto e doutor... Está tudo ‘junto e misturado’. E é isso que compõe as praias. Isso é a cara do Rio!

Apesar de algumas pessoas da Zona Sul acharem que as praias são o quintal de suas casas ou a área de lazer privada de seus condomínios, a recém-inaugurada estação de metrô de Ipanema tem ficado abarrotada de moradores de Bangu, Freguesia, Realengo, Vila Valqueire, Caxias, Nova Iguaçu, Pavuna, São João de Meriti... E por aí vai... E viva a estação de Ipanema! A praia ficou mais perto. O tempo de viagem diminuiu. O clássico trajeto de um domingo de sol ficou mais rápido. “Demorô!”

É claro que os preconceituosos de carteirinha são contra a expansão do metrô para não ‘sujar’ a Zona Sul. Alguns acreditam que "o ambiente fica mais bucólico com ‘puro sangue’”. Aliás, há os que chegam a achar que só o povo das outras zonas (aquelas inferiores à ‘Sul’) faz sujeira e alimenta a desordem nas quentes areias das prais. Um posicionamento elitista como esse não me deixa dúvidas de que, infelizmente, ainda há muita gente que levanta a bandeira da dominação sobre as minorias, inclusive no lazer. Como se não bastasse o domínio em todas as outras esferas. Lamento...

De quem é a praia? Tem dono? É minha, é sua, é nossa. Quando digo “nossa”, incluo no mesmo grupão os cariocas, os fluminenses, os brasileiros! E que ferva o verão...

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terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Que tipo de people?

Lembro-me das minhas aulas da graduação, quando meu professor explicava a pluralidade da pós-modernidade. “Na contemporaneidade, podemos participar de vários grupos ao mesmo tempo”, dizia meu grande mestre com doutorado em Sorbonne, na França. E ele tinha razão.

Ao mesmo tempo em que me acabo no samba, requebro no funk e pulo ao som de rock. Leio de Época a revista de futilidades, passando por obras teóricas de antropologia e livros de espiritismo e catolicismo. Como é rico passar por várias esferas de conhecimento, de experiência, de vivência!

Mas me intriga perceber que muita gente não está nem aí para isso. Não estou me colocando em posição de dona da verdade, mas acho que o povo anda muito superficial. Não me refiro a inteligência, mas a valores. Por exemplo: Há cinco mil pessoas agrupadas na rede social Beautiful People (!), que reúne em seu seleto ‘book’ só bonitões e bonitonas. Feio não entra!

Valores como generosidade, parceria, honestidade, fidelidade e solidariedade são deixados de lado. Não importa saber quem presta e quem não presta! Valem os atributos físicos. Única e exclusivamente. A exigência é somente um alto padrão de beleza. Aí eu pergunto: como assim??? Confesso que isso me assusta. Muito! Quando alguém descobrir qual é o objetivo desse negócio, por favor, quero ser a primeira a saber.

Soube que os brasileiros andam "bem na fita" nessa tal rede. O diretor gerente do site, Greg Hodge, declarou que a maior parte dos recusados é dos Estados Unidos, Reino Unido e Canadá. Além de excluir, agora o site expulsa. Aqueles que exageraram nas festas de fim de ano e engordaram ou "embagulharam" estão sendo expulsos, sem dó nem piedade.

Enfim... A que ponto chegamos? É por isso que o ser humano dá cada vez mais valor ao que menos tem valor. Relacionamentos embasados em comportamento, atitude e caráter não têm preço! É nessas relações que eu aposto todas as minhas fichas. E não costumo me decepcionar.

OBS: Depois de um recesso de fim de ano (rs...), estou de volta ao blog! Fiquem por aqui.

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