domingo, 6 de dezembro de 2009

Alegria de ser rubro-negra


No dia anterior, chuva. No dia da vitória, sol e calor! E, nesse clima, o Rio se vestiu de vermelho e preto. E eu também. Fui ao templo do futebol assistir à quase certa vitória do Mengão. Emoção em volta do estádio. Pessoas cantando, vibrando, sorrindo! Que tarde linda! Antes de passar na roleta, 1 hora de fila. Não foi um sacrifício. Ao subir a rampa, arrepios seguidos a cada 10 segundos. Uma emoção que só flamenguista entende. Gente de tudo o que é canto. Vários sotaques... Uma só paixão!

Ao entrar, água gelada para garantir a energia. Faltava uma hora para o jogo, mas já era difícil escolher um lugar. Músicas, gritos, fogos, bandeiras e o sempre presente 'ôooolaaaa'... Time em campo. Torcida nas alturas! Balões rubro negros voando, papéis no ar, bandeiras em punho, mantos no corpo, corações a mil. Começou a disputa pelo hexa, que alguns insistiam em dizer que era penta. Que seja... Era a disputa pelo título brasileiro, que parecia improvável quando estávamos mal na tabela. Futebol é uma caixinha de surpresas. E que surpresa boa estar na disputa pelo título!

Depois de alguns minutos de empolgação, gol do Grêmio. Meu coração gelou... Tristeza e dúvida: será quer vai dar? Deu! Dois gols do Mengão... Empurrados para a rede com a ajuda da voz uníssona da maior torcida do Brasil. Dois momentos em que meu coração quase explodiu! Achei que ia morrer ali mesmo. Que nada... Vou viver muito ainda para presenciar outras festas como essa!

Fim de jogo! Mengão dois a um! Maracanã ficou pequeno para tanta euforia. Levantamos poeira; fizemos a festa; gritamos com raça, amor e paixão! Minha voz se somou à de outras 80 e tantas mil pessoas e meu coração se uniu a outros 32 milhões espalhados pelo Brasil.

É muito torcedor apaixonado! Ancelmo Góis divulgou no Globo nota com resultado de pesquisa que concluiu que seriam necessários pelo menos 10 maracanãs para atender à demanda por ingressos. Entre 800 mil e 1 milhão de torcedores estiveram em busca de entradas para essa final! Não é pouca coisa, não... É ou não é uma nação?

Voltando ao Maracanã... Depois da tensão, gritei É CAMPEÃO com uma força que veio da alma! Por alguns instantes, porém, a voz sumiu. A lágrima caiu. Que choro satisfeito! Que alegria sem tamanho...

Posso garantir que emoção como essa nunca havia sentido antes! Que venha a Libertadores! E o título também... Mais um!

MENGO! ESTOU SEMPRE CONTIGO, SOMOS UMA NAÇÃO. NÃO IMPORTA ONDE ESTEJA, SEMPRE ESTAREI CONTIGO. COM MEU MANTO SAGRADO E A BANDEIRA NA MÃO. O MARACA É NOSSO! VAAAI COMEÇAAAAR A FESTAAAAA! DÁ-LHE, DÁ-LHE, DÁ-LHE ÔOOO. DÁ-LHE, DÁ-LHE, DÁ-LHE ÔOOO. DÁ-LHE, DÁ-LHE, DÁ-LHE ÔOOO. MENGÃAAAAOOO DO MEU CORAÇÃAAAAOOO!!!

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quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Escala da Transparência


Você sabe o que é IPC? É Índice de Percepção da Corrupção. O indicador, divulgado pela ONG Transparência Internacional, é medido em 180 países e verifica o nível de confiança da população de cada nação em suas instituições. Neste ano, o IPC mostrou a Nova Zelândia encabeçando a lista, na primeira posição, com nota 9,4. Boa média para o ‘boletim’ do país insular. Na outra ponta da lista, o país cujo governo menos desperta confiança do povo é a Somália.

E o Brasil, em que posição ficou nessa história? Em 75º lugar. Cinco pontos acima de sua colocação no ano anterior. Foi um avanço? É, vamos considerar que sim. Melhor que cair... Ainda há muito a melhorar. O Brasil é o terceiro melhor país sul-americano na relação. Entre os BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China), grupo dos quatro principais países emergentes do mundo, o país do continente americano é o melhor colocado.

Apesar de estarmos bem na fita em relação a outros países, estamos na faixa dos ‘altamente corruptos’, segundo conclusões da pesquisa. Que triste... Esperamos que os governos municipais, estaduais e federais nos despertem sempre, e cada vez mais, confiança. Mas é preciso votar direito, com consciência, pesquisando e analisando prós e contras de cada candidato e cada partido. Não adianta nada votar ‘nas coxas’ e depois reclamar. E rumo ao primeiro lugar dessa lista!

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quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Sem luz!

De repente, a luz se apagou. Fui aos poucos descobrindo que nos bairros vizinhos estavam na mesma situação. As cidades também. Os estados, idem. Até o Paraguai! O desespero bateu. Pensei: Quanto tempo isso vai durar? Será que é um ataque de hackers? Ou um ataque político? Será que consigo ficar mais de 2 horas sem energia elétrica? Como vou saber das notícias sobre o blecaute?

Pensei logo no meu MP4, e logo lembrei que o aparelhinho multifunções estava na gaveta do trabalho na hora que mais precisava dele em casa. Aliás, apesar de o MP4 ser a cara da contemporaneidade, ele nos permite ouvir o bom e velho rádio. Meu celular estava morrendo, apitando como sinal de falta de bateria... E olha que não tenho acesso a internet pelo celular, héin. Ainda bem que telefone residencial funciona às mil maravilhas nessas horas! Foi por ele que me chegavam hard news.

Cenas de filme que retratam caos em cidades sem energia elétrica vieram à minha cabeça. Mas logo dei graças a Deus ao lembrar que eu poderia estar no metrô, do qual saí 40 minutos antes do apagão. Pior ainda se eu estivesse no elevador ou em uma montanha russa! Imagina! É, fiquei meio horrorizada. Acho que exagerei.

Mas notei como somos escravos da eletricidade. Comecei a imaginar minha vida sem geladeira, ventilador, TV, computador, celular. Acho que seria bem infeliz sem eles. E pensar que em pequenas cidades de interior muitas pessoas vivem sem isso tudo... Nessas horas, é bom cair a ficha de que a modernidade traz muitos benefícios, mas ao passo que oferta, ela tira. E quando tira, parece que nos reduz a nada.

Que sensação estranha eu tive na noite do apagão. Um misto de medo com agonia. O interessante é que essa experiência me fez dar valor a cada momento com e sem a energia elétrica. Lembrei como é bom estar em uma cidade iluminada, festiva, com um som pesado aos ouvidos. Pensei como é melhor ainda estar em um camping, sem luz, ar condicionado e outros aparatos eletrônicos, onde só se ouve o som de grilos e pássaros. Tudo tem seu valor... O melhor é aproveitar melhor o melhor de cada situação!

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sexta-feira, 6 de novembro de 2009

No elevador

Qualquer mortal já precisou ir a um prédio e parou diante dos botões do elevador por alguns segundos para processar aqueles dados, que mais parecem pegadinha... “Hmmm, essa letra aqui vai me levar para que andar?” Cada edifício usa um critério para nomear seus andares. E isso só dificulta a vida do usuário que quer humildemente subir e descer. Só isso.

Essa tarefa poderia ser mais simples. Algum gênio poderia inventar o “manual mundial de nomeação de andares” para regulamentar esse troço. Eu seria eternamente grata a esse sabichão.

As dúvidas pairam no ar... Por que em um prédio a portaria é P e em outro o mesmo andar recebe o nome de A ou T? E ainda fica a dúvida: P é de portaria ou de play? É, amigos, é importante fazer essa pergunta porque nem sempre portaria e play estão no mesmo pavimento. O T é de térreo. Mas será que térreo é sempre o andar da portaria? Às vezes a portaria está no subsolo, que também recebe o nome de SS. Mas e o SL, o que significa? É sobreloja. Para mim, esse tal de SL é o mais desnecessário! Por que o segundo andar é chamado de sobreloja e o terceiro andar passa a ser o segundo? Quem inventou isso, pelo amor de Deus??? Bizarro! Tudo muito confuso e extremamente subliminar. Dá-lhe interpretação...

Se você nunca tinha parado para pensar nisso, agora vai começar a dividir comigo a vivência desse conflito. E você vai sempre se perguntar: Se podem dificultar, para que facilitar?

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sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Música para os ouvidos... E para a alma

No início, uma chuvinha fina. À medida que o grupo entoava as notas, a leve garoa foi deixando de cair. Na frente, a majestosa fachada repaginada do Theatro Municipal. Paisagem inspiradora. Ao redor, olhares e ouvidos atentos de passantes, trabalhadores, estudantes, amigos, desconhecidos. Pessoas. Interessadas na mágica e harmoniosa junção de vozes. Vozes que no dia-a-dia trabalham distantes. Uma em cada andar, com funções peculiares. Vozes que, em nome de uma paixão, se reúnem periodicamente e se encaixam brilhantemente ao som de um teclado preciso e de uma regência vibrante.

Não há sensação melhor que ver a plateia cantando a meia voz, com olhar fixo no grupo. O olhar está ali, mas a cabeça está bem distante. A imaginação do ouvinte viaja por várias esferas a cada canção, a cada frase, a cada nota. Esse é o fascínio da arte. O prazer que o cantarolar proporciona já é intenso para quem aprecia o coro. Para quem entoa as músicas, o deleite é ainda maior. E a magia está no amor. A dedicação sincera resulta nesse encanto. Indescritível.

Viva o canto coral! E a felicidade que ele proporciona...

Obs: Torço para que o Coral Transpetro-Sede traga outros ‘sem número’ de momentos como esse. Agradeço a contraltos, baixos, tenores, sopranos, pianista, regente e coordenador pela perfeita parceria. E vamos cantar...

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quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Quem assume? “Sim, eu vejo novela!”

Viver a vida. Essa é a novela das oito (que já transformou em novela das nove há algum tempo). Para os desavisados, trata-se de mais uma daquelas histórias de Manoel Carlos com bossa nova de fundo e um monte de personagens que só sabem bater perna na Zona Sul. Ah, agora o autor inovou: temos Búzios como segundo cenário. O que não é novidade é a imortal Helena no centro dos conflitos. (Aliás, o nome deveria ser Perpétua, não Helena).

A novela está no ar, ainda procurando seu caminho, com alguns núcleos interessantes. Outros, nem tanto. Como não pode deixar de ser, o Globo Online e outros sites de notícias e fofocas trazem diariamente novidades sobre os capítulos que estão por vir. O povo quer saber! Aqueles que acompanham o folhetim querem conhecer o desenrolar da trama. Mas se você pensa que só quem assiste se interessa, está enganado.

É aí que entram os mal-humorados de plantão!!! Eles adoram comentar as matérias sobre as novelas, dizendo que isso é coisa de gente fútil, é atestado de burrice, é isso, é aquilo. Pergunto: Se essas pessoas abominam novela, por que será que elas clicam na chamada e lêem o texto na íntegra? Alguém os obriga a isso? Well... Não satisfeitos em ler o que não querem, eles ainda inserem comentários com toda a raiva do planeta elevada ao cubo... Acho essa postura tão engraçada. Morro de rir. Rs...

Vamos a um exemplo... Matéria da Revista da TV no Globo Online: “Dora ficará grávida de Marcos e começará a perseguir o empresário em ‘Viver a Vida’”. Uma leitora chamada Yolanda comentou: “Infelizmente o que assistimos ultimamente nas novelas são espetáculos de traições, armações e todo o tipo de degradação social. Esta novela então, nem se fala!”. Vale lembrar para a Yolanda que armações são o segredo do sucesso de novelas, filmes, livros, peças, etc.

Um tal de mfcam escreveu: “Há muito tempo que eu não perco meu tempo assistindo novelas”. Ops, mas ele perde tempo lendo matérias sobre as novelas? O moço ainda dá um conselho cult: “Leiam mais livros interessantes”. Gente, quem disse que quem vê novela não lê livros, não estuda, não ouve música, não vai ao cinema? Rs...

Obs: Para quem ficou curioso, assumo: Sim, eu vejo novela. Não sou viciada, não roo as unhas, nem perco nenhum programa por elas. Mas assisto quando dá. Confesso outra coisinha: não só assisto, como interajo com ela, como fazem nossas tias-avós que sempre xingam a malvada e choram com a mocinha. Isso, sim, é ver novela de verdade!

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quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Racismo institucional no Brasil


Há alguns dias, fiquei estupefata ao saber que o crime de racismo é tratado tão superficialmente por quem mais deveria levar o assunto a sério. Recebi um e-mail de um amigo com o resultado da tese de doutorado do pesquisador Ivair Augusto dos Santos, da UnB. O que ele concluiu? Que os juristas do Brasil ignoram o crime de racismo! Infelizmente.

Depois de analisar processos e sentenças judiciais de 18 capitais brasileiras, ele notou que o crime é geralmente desconfigurado como racismo. Sabe o que acontece com isso? A pena ao agressor torna-se mais branda... Uma pena. O pesquisador também divulgou alguns dados (dos quais tenho vergonha!). Veja só:

- A cada 17 denúncias de racismo, apenas uma vira ação penal no país verde e amarelo.

- No estado do Rio de Janeiro, o número de denúncias é muito maior que nos outros estados. Só no primeiro semestre de 2009, foram 1.549. Em Alagoas, o número não passou de 10 entre 2003 e 2006. Sentiu a diferença?

- As capitais com mais escolaridade registram mais casos. Pessoa corretamente instruída luta mais por seus direitos. Obs: Mais um exemplo de que educação é mais que urgente, é ‘para ontem’!!!

Bem, como de costume, deixo algumas perguntinhas no ar... Por que a polícia aborda primeiro o negro? Por que será que a justiça erra? Será que é porque não trata o negro como cidadão? (Acho que sim...) Juízes não vêem o crime porque acreditam que não há racismo no país? Well, em que país eles vivem???

“Nega preta, fedida, fedorenta, macaca, passa-fome”, “retire-se daqui sua macaca”, “negro nojento, negro que tinha que ficar na chibata”, “negro safado, negro sem vergonha e sem futuro”, “serviço de gente e não serviço de preto e de porco”, “negro sujo e carniceiro ” e “preto que nasceu bom, nasceu morto” são apenas algumas expressões copiadas pelo pesquisador que não foram entendidas pelos juízes como racismo.

Essas expressões foram interpretadas como injúrias e, às vezes, como simples brincadeiras. Dá para acreditar???

Até quando isso vai? Evoluímos, evoluímos, evoluímos... Mas algumas atitudes parecem do tempo das cavernas. Racismo é um atraso. Uma segregação repugnante! Afff... Tolerância zero!

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